sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Depois de três letras despojadas, tá na hora de postar algo mais "sério", não é? Então lá vai...


Que Ele Sente Todo Dia


Entorpecido pela onda de agonia

Que ele sente todo dia

Nunca sabe o que escolher

Pra não só sobreviver

E conseguir

Sentir

Algum sabor


Inseguro em função da hipocrisia

Que ele sente todo dia

Já não sabe o que tentar

No sentido de evitar

Ter que fugir

E reprimir

O seu valor


(refrão)


E é isso

Que ele sente todo dia

Não existe harmonia

É tão difícil insistir

Em tentar enfim sorrir

Sem temor


E é só isso

Que ele sente todo dia

Onde está a alegria?

E o gosto de existir

Desejo de repartir

Seu amor


(intervalo longo)


Desolado pela sombra da apatia

Que ele sente todo dia

Nunca sabe o que fazer

Pra parar de se esconder

Já não sabe o que mudar

Pra não ter mais que chorar

E se permitir

Coexistir

Com tanta dor


(refrão)


Entorpecido pela onda de agonia

Inseguro em função da hipocrisia

Desolado pela sombra da apatia...


(refrão)


Pouco viável

É resistir

A tanto horror

Sendo improvável

Se divertir

Sem qualquer pudor

Mas inevitável

É persistir

Com todo ardor


Pois é isso

Que ele sente todo dia


(encerramento)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E aqui, o final da Trilogia do Pacto. Espero que a considerem divertida, assim como as demais. Imaginei todas com um ritmo rocker..



Pacto (parte 3: a alternativa)



Aqui não é praia

Mas você vai pegar uma cor

Vem cair na gandaia

O caos tem muito mais sabor


Nada de éden

Lugar chato, todo certinho

Cheio de anjinhos que fedem

A talquinho


(pré-refrão)


Ficar tocando harpa?

Trabalhar de cupido?

Sai dessa, escapa!

Vem boiar no óleo fervido


Me escute, meu chapa!

Não deixe passar batido

O diabo te oferece o mapa

De um lugar mais divertido


(refrão)


Faça um pacto

De impacto

Venha comer aqui, tá quentinho seu prato

Não seja ingrato

Aceite meu trato

Assine logo o contrato

Ou ainda antes do prazo... Eu te mato!


(intervalo médio)


Asinhas nas costas

É coisa de fresco

Vinho quente todo o mundo gosta

É melhor que refresco


Argola sobre a cabeça?

Vestindo fraldinha?

Ei, reconheça:

É melhor minha eterna festinha


(pré-refrão)


(refrão)


(intervalo médio)


(refrão)


(refrão)


Não perca mais tempo, deixe as letrinhas miúdas do contrato pra lá, só vão te dar cansaço.

Pegue aqui minha caneta, assine logo e vamos pro abraço.


(encerramento)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fiz este logo em seguida ao que publiquei anteriormente - ou seja, tem uns dez anos. Temos aqui a segunda parte de uma trilogia... (isso soa bem, né?)



Pacto (Parte 2: A Vantagem)


Não ouça o padre

Ele é um babaca que não sabe o que diz

Vem cá comigo

Eu sei que você quer ser feliz


Ô, meu compadre!

Viver é sempre estar por um triz

Sou seu amigo

Eu te coloco no meu show bizz


Vem cá comigo

Sou seu amigo

Contra esse mundo cão te dou abrigo


(intervalo curto)


Antes do seu enterro

Realize tudo com direito a bis

Ouça o que digo

Promessa em falso eu nunca fiz (he, he, he)


Não tem erro:

Faça aquilo que sempre quis

Não tem perigo

E então, o que me diz?


Ouça o que digo

Não tem perigo

Quem lhe disse que eu torturo e brigo?


(intervalo curto)


(pré refrão):


É certo que meu reino não fica no alto

Mas em compensação não tem nada de chato

Comigo é mais bacana e animado, isso é fato!


Os nove grandes condomínios

Que Dante distorceu

Ao descrever

São os meus lindos domínios

E pode ser tudo seu

Se escolher


(refrão):


Faça um pacto

De impacto

Aceite o meu trato

Assine o contrato


(intervalo médio)


(pré refrão)


(refrão)


(refrão)


(encerramento)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais uma tentativa de criar letras despojadas, divertidas. Esta já não é tão antiga, e é um dos poucos casos em que lembro o período exato (1998).




PACTO (Parte 1: A Proposta)



Se eu puder
Eu tomo a sua vida
Pois eu sou sim
Um demônio que precisa trampar

Pra quem vier
Calorosa acolhida
Venha a mim
É tão bom eternamente fritar

Vai gostar

(intervalo curto)

Te prometi
Poderes além da sua alçada
Pra que no fim
Sua pobre alma tenha um lugar

Assine aqui
Nessa linha pontilhada
Pense que enfim
Frio nunca mais irá passar

Vai assar

(intervalo curto)

(pré refrão)

Então seja humano – seja um pato!
Aceite o que ofereço e ainda fique grato
Eu até já carimbei seu retrato
E nem precisa me entregar a alma no ato

(refrão)

Faça um pacto
De impacto
Aceite o meu trato
Assine o contrato!

(intervalo longo)

Não hesite assim
Quem disse que o demo é ruim?
Calor sem fim
Diversão pra mim... quer dizer, pra nós (putz, mas aí não rima...)

(pré refrão)

(refrão)

E nem precisa me entregar a alma no ato

(encerramento)

sábado, 21 de novembro de 2009

Uma visão sobre a dualidade do amor, força que tão bem evidencia a Natureza: eterno cabo-de-guerra entre positivo-negativo, razão-emoção, yin-yang...

QUANDO A GENTE CAI


A armadilha está montada

Sempre esteve, sempre estará

Muitos sabem da cilada

E ainda querem arriscar


Sempre se encara este perigo

Todos os riscos desprezando

No confronto mais antigo

Todo mundo está lutando


A vontade de perder a briga

O desejo por captura

É o que mais instiga

Quem vai nessa aventura


Está lançada a isca

Que todo combatente morde

Seguindo a emoção à risca

Antes que a razão acorde


Pela própria vontade

A gente é encurralado

Corpo e mente em liberdade

O espírito algemado


(pré-refrões 1):


A gente cai na rede

A gente cai no poço

Encostados na parede

O coração em alvoroço


(refrões):


Quando a gente não segura mais

Quando a gente cai

Quando a gente aceita o desafio

O amor se garantiu

No amor a gente vai


Quando a gente já não se retrai

Quando a gente cai

Quando a gente cansa de fugir

O amor está aqui

No amor a gente vai


(intervalo médio)


A armadilha está montada

Sempre esteve, sempre estará

Muitos sabem da cilada

E ainda querem arriscar


Sempre se encara este perigo

Todos os riscos desprezando

No confronto mais antigo

Todo mundo está lutando


A vontade de perder a briga

O desejo por captura

É o que mais instiga

Quem vai nessa aventura


Está lançada a isca

Que todo combatente morde

Seguindo a emoção à risca

Antes que a razão acorde


Pela própria vontade

A gente é encurralado

Corpo e mente em liberdade

O espírito algemado


(pré-refrões 2):


A gente cai na rede

A gente cai no fosso

A paixão morta de sede

Com a corda no pescoço


(refrões)


(intervalo longo)


(pré-refrões 1 & 2)


(refrões)


(intervalo curto)


(refrões)


A gente já se rende

Sem fazer qualquer esforço

E então aquilo que nos prende

Rejuvenesce o velho e envelhece o moço


(encerramento)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

AMOSTRA # 8

Esta foi a primeira letra cômica e despojada que tentei escrever. Me parece claro hoje que fui fortemente influenciado por Ultraje a Rigor, banda que eu escutava bastante naquela época - e que ainda hoje admiro, principalmente pelas letras. Eles sempre demonstraram uma incomum competência em saber brincar com as palavras de forma divertida e criativa, sem abrir mão do desafio em criar rimas plausíveis e bem sacadas.


EU MORRI!


Quando o sol apareceu

E o despertador tocou

Não sei o que me aconteceu

Alguma coisa mudou


Eu levantei da cama

E uma visão me alarmou

Deitado e com o pijama

Meu corpo continuou


(pausa breve)


Flutuei pelo quarto

Sem ter no chão pisado

No espelho outro sobressalto

Eu não me vi levantado


Então me descontrolei

Fiquei desesperado

Socar a parede eu tentei

Mas atravessei pro outro lado!


(pré-refrão 1):


Não sabia que o fim

Chegava assim

De surpresa

Sem zoeira

E de maneira

Que eu nem mesmo entendi

Estou voando

Estou boiando

Com só uma certeza

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(refrão):


O meu coração pifou

Minha vida acabou

Tão cedo eu parti

Não estou mais aqui


Virei defunto

Sou presunto

Faleci

Pereci


(intervalo médio)


Voei através da porta

Sem saber o que fazer

Nada mais pra mim importa

Eu acabei de morrer!


Fui vagando pelas ruas

Tentando me entreter

Um vestiário com garotas nuas

Fez meu ectoplasma tremer


(pausa breve)


Mas agora sou só uma alma

No que estou pensando?

Tenho que manter a calma

Elas nem estão me enxergando!


Enquanto vivia, que ironia!

O máximo era ficar rezando

Pra ver minha noiva Maria

Sem sutiã de vez em quando


(pré-refrão 2):


Não sabia que ir pro além

Seria bem

Frustrante

Tanta mulher sobrando

E eu babando

Aqui

Vou começar

A aceitar

Que de agora em diante

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(refrão)


De repente uma vontade

Antes de para o além zarpar

Ver de novo a beldade

Com quem iria me casar


Na casa dela entrei depois

Do telhado atravessar

E logo vi os dois

Deitados no sofá


(pausa breve)


Num baita dum amasso

Maria ali estava

Já fui descendo o braço

Mas de nada adiantava


Saí dali voando

Por essa eu não esperava

A noiva me chifrando

Com o amigo que eu mais gostava


(pré-refrão 3):


Não sabia que minha vida

Era a saída

De um esgoto

Iludido

E traído

Agora eu sei que vivi

Já encaro com satisfação

Minha condição

De homem morto

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(refrão)


(intervalo longo)


Não sabia

Que na morte iria

Ficar aliviado

A irresistível chamada

Da última morada

Eu já recebi

Sendo assim

Enfim

Por mim

Estou melhor do outro lado

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(encerramento)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

AMOSTRA # 7

Esta letra é quase que uma tradução de minha própria filosofia de vida. Hoje, penso exatamente como escrevi - quem me conhece bem perceberá isto claramente. Também é algo das antigas, que reformulei. E o interessante é que na época eu ainda não tinha esta visão, não possuía a atitude descrita na letra. Será que eu inspirei a mim mesmo? Não sei dizer, não lembro como foi minha, digamos, “transição” do Alessandro antigo para o atual.

O passado pra mim é sempre nebuloso, pois nunca gasto tempo útil do presente pensando em coisas que já aconteceram há tempos. Se foram coisas ruins, não posso fazer nada pra mudar ou consertar... e fico triste. Se foram coisas boas, mas não existem mais (pois tudo na vida muda) fico triste também, na melancolia da saudade. O que vale pra mim é o foco no presente, onde os prazeres e sabores da vida são palpáveis e imediatos.

Já o futuro é totalmente abstrato, imprevisível, poderá ser totalmente diferente do que podemos projetar hoje ou sequer existir para muitos de nós. Tempo e energia gastos tentando concretizar um futuro idealizado, são, em tese, potencias desperdícios. Tudo pode acontecer. Ou não acontecer. Por isso, prefiro planos a curto prazo e estar sempre usando todo o tempo livre disponível para fazer o máximo das coisas que gosto (ou mais de uma ao mesmo tempo, quando possível).

Assim, viva o presente!!!

Bom, mas voltemos para a letra. À primeira vista, o formato do refrão pode parecer enfadonho por ser excessivamente longo. Mas ainda acredito que, se for cantado do modo certo (talvez mesmo do modo como imaginei, quem sabe), irá soar como algo não só diferente, exótico mas, além disso, realmente bacana de se ouvir.


TIC-TAC

Estou fazendo a promessa
De não mais definhar
A partir de agora é que minha vida começa
Vou aproveitar

Agora vou parar
De criar limitações
Quero levar adiante e sem hesitar
Minhas decisões

(pré-refrão 1):

A vida é uma só
E não tem devolução
Se transformar em pó
É a reta de chegada dessa competição

(refrão):

Por isso...
Eu quero aproveitar
Tenho tanto o que fazer
Logo o prazo vai acabar
E eu vou morrer
A chance que Deus me dá
Eu não quero perder
Preciso tudo tentar
Enquanto ainda viver
Quando o fim chegar
Não quero me arrepender
Quero me alegrar
E também quero sofrer
Tanta coisa há
Para se aprender
Necessito testar
Pretendo saber
Necessito provar
Pretendo conhecer
Gostaria de amar
Desejo entender
Isso que faz chorar
E depois renascer
Por isso agora eu vou mudar
Vou começar a crescer
Enfim vou acordar
E compreender
Eu já estou lá
Agora vem você!

(intervalo médio)

Chega de jogar tempo fora
Com a vida alheia
Nosso maior tesouro indo assim embora
Por simples besteira

O nascimento é o início
Da contagem regressiva
Não existe na vida maior desperdício
Do que gente inativa

(pré-refrão 2):

O que agora decidi
Não tem mais volta
Enfim eu percebi
O anterior viver sem vida que hoje me revolta

(refrão)

(intervalo longo)

(refrão)

(encerramento)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

AMOSTRA # 6

Mais de uma década atrás, eu criei três versões diferentes da letra a seguir - sem conseguir decidir qual seria a melhor delas. E, claro, quais eu poderia descatar. Hoje, decidi acabar com este antigo e há tempos abandonado impasse. No final das contas, ao reler todas, a solução me veio num estalo: mesclei tudo o que as três versões continham de único em um mesmo texto, de forma a aproveitar o que cada uma possuía de bom em relação ao formato e conteúdo. Claro, também alterei o conteúdo de alguns trechos, para contornar a repetição de algumas idéias que as diferentes versões compartilhavam. Assim, fiquei com a letra abaixo, que mostra uma estética mais variada do que o habitual dentro do meu estilo. E não é que gostei bastante do resultado final? Espero que apreciem também...



ARTES DE GUERRA


Não aceito as manobras navais
Bombardeando ilhas, exterminando animais
Não me agradam os testes nucleares
Contaminando terras, mares e ares
Não vou, ora
Aprovar o destino
Das verbas tiradas de escola
Que promove o ensino
Pra ver se a marinha descola
Um novo submarino

Não sou comparsa
Dessa mentalidade
Cuja maior baixa
É na sociedade
O soldado lutando no front e o povo contra a necessidade

(pré-refrões 1)

Não quero ver o rumo que está seguindo o mundo
O emprego das artes de guerra acima de tudo
Não quero ver nosso planeta moribundo
O conceito das artes de guerra nos levando ao fundo

(refrões )

Parem com estas artes de guerra
Parem de criar tanto atrito
Parem, assim o mundo se ferra
É nosso grito

Parem com estas artes de guerra
Parem de buscar o conflito
Parem ou a gente se enterra
Não admito

Parem com estas artes de guerra
Parem com este gosto esquisito
Parem de arrasar com a terra
Não é bonito

Parem com estas artes de guerra
Parem de seguir este rito
Parem com estas artes de guerra
Eu repito

(intervalo médio)

Não aprecio ver dinheiro aos montes
Sugado pra uso militar de todas as fontes
Não me entra pela garganta
O sabor patriota que camufla e encanta
Não vejo a razão
Que pode haver
Em fabricar munição
Com o povo sem comer
Defenda a nação
Que ela não defende você

Não posso, não, aprovar
Toda essa tecnologia
Desenvolvida para o caos espalhar
E não pra conseguir harmonia
Ciência tão fria

(pré-refrões 2)

Não quero ter que ver aumentar este corte profundo
O uso das artes de guerra deixando o planeta desnudo
Não gosto do cheiro deste ferimento imundo
O conceito das artes de guerra nos levando ao fundo

Parem com estas artes de guerra
Parem de criar tanto atrito
Parem, assim o mundo se ferra
É nosso grito

Parem com estas artes de guerra
Parem de buscar o conflito
Parem ou a gente se enterra
Não admito

Parem com estas artes de guerra
Parem com este gosto esquisito
Parem de arrasar com a terra
Não é bonito

Parem com estas artes de guerra
Parem de seguir este rito
Parem com estas artes de guerra
Eu repito

(intervalo longo)

Não suporto ver a destruição da História
Cuja maior lição foi mostrar que é na paz que há glória
As bombas caindo
E sumindo
Com nossa memória
Monumentos ruindo,
O passado fugindo
Antes da hora

(repetir pré-refrões 1 e 2)

(repetir refrões)

(repetir refrões)

Parem com estas artes de guerra
Eu repito!

(encerramento)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AMOSTRA # 5

Reconheço que a letra a seguir possui grande potencial para gerar controvérsia.
Quando a escrevi originalmente, causei certa polêmica e até hostilidade entre os amigos para os quais a mostrei. Isto, mesmo tendo o cuidado (que não deveria ser necessário, na verdade) de lhes explicar antecipadamente o sentido da idéia ali contida. Mas a reles combinação de um certo grupo de palavras, que no final das contas não passa de um amontoado de letras no papel (ou tela, agora) teve, por si só, mais força do que a compreensão da metáfora ali intrínseca.
Bom, agora, quinze ou dezesseis anos depois, eis que faço uma nova tentativa de expor o tema... devidamente recauchutado, como todos os trabalhos antigos que ando postando em meus blogs. Vamos ver se agora me saio melhor que na primeira vez.
Em tempo, deixem-me discorrer um pouco sobre o trecho polêmico: "Deus contra todos" não significa que Ele nos odeia ou quer nosso mal - pelo contrário. Durante a leitura, espero que seja compreensível (desta vez com mais sucesso que no passado, rsrs) que tento, com tais palavras, colocar justamente o sentido oposto. Ou seja, que Deus atua, sim, colocando obstáculos, desafios e desgostos em nosso caminho... mas com o objetivo maior de nos fortalecer espiritualmente e deixar-nos preparados para suportar ou merecer uma "ascensão" a quaisquer etapas posteriores que nos aguardem em um "além vida", seja ele em formato clássico ou não.
Partindo da doutrina - a qual sempre defendi - de que a Vida nada mais é que uma escola com vários "anos letivos" e o que convencionou-se chamar de Deus tem a função de Coordenador do Universo (qualquer que seja a visão religiosa ou mesmo não-religiosa adotada), Ele só será de fato um bom professor e cumprirá bem sua tarefa se nos der as lições mais difíceis para estudar, através de matérias que não permitam decoreba, e sim aprendizado real. Só assim será possível que atinjamos a meta que nos trouxe a esta etapa. A melhor forma de se "estudar" este tipo de coisa é se, de fato, certas situações em nosso caminho forem dificultadas ao máximo. Quanto mais cairmos, melhor aprendemos a nos levantar depois, e mais preparados para tirar uma boa nota na grade "prova" no final do "curso" - para assim não acabar "repetindo de ano" e perdendo tempo tendo que voltar aqui pra passar por tudo de novo... Por sorte não é apenas sobre isto que precisamos aprender, então também acabamos passando por algumas coisas boas, conhecendo o que é felicidade, etc.
Nossa, me deixei levar demais pelas considerações filosóficas e esqueci que entrei aqui apenas para postar uma nova amostra de letra.
Tenho mais é que abrir um blog especificamente para tecer idéias. "Quero Ser Teórico da Vida", talvez, rsrss... (aí eu não fico mais "atrapalhando" quem visita o Quero Ser Compositor com o intuito de apreciar apenas o que já está, inclusive, indicado no próprio nome do blog, não é mesmo?).
Então vamos ao que importa:


CADA UM POR SI, DEUS CONTRA TODOS


Nada nos prepara
Ou separa
A resistência
Que nos faz sobreviver
Da prudência
Que nos leva até a recuar
Nossa força
Chega a surpreender
Frágil como louça
E tão difícil de quebrar

(refrão 1):

Ilógico desequilíbrio do ser
Tão vulnerável para entre os seus viver
Teme estar aqui
Teme ir para o lodo
Cada um por si
Deus contra todos
Cada um por si
Deus contra todos

(intervalo curto)

Pelo inevitável
Ou imprevisível
Nos deixamos
Abater
Muito sentimos
Uma virada brusca, uma grande perda a lamentar
Contra a inépcia, o instinto nos adapta e nos mostra o que fazer
Com o incentivo certo
Este tolo esperto
Pode a tudo se habituar

(refrão 2):

Em sua inerente forma de ser
Uma automática busca do prazer
Se tenta adquirir
Vacina contra engodos
Cada um por si
Deus contra todos
Cada um por si
Deus contra todos

(intervalo curto)

A nossa inata
Indefinição
Quase nos mata
Tanta indecisão
Nos faz suar para aprender
Pois o jogo do universo é nos aperfeiçoar
Conhecemos as respostas
A luta é para não esquecer
Forças recompostas
Para nos aprimorar

(refrão 3):

A ajuda divina pode querer
Mas se virar sozinho tem que saber
Precisa prosseguir
Em meio a desacordos
Cada um por si
Deus contra todos
Cada um por si
Deus contra todos


(intervalo longo)

O ser humano
Acertado engano
Contra-senso, contradição
Reflexo instintivo versus hesitação
Tudo no mesmo lugar
É preciso treino,
Uma preparação
Por isto vamos nós a vosso reino
Quando a hora da ação
De súbito chegar

(repetir):

(refrão 1)+(refrão 2)+(refrão 3)

Cada um por si
Deus contra todos

(encerramento)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

AMOSTRA # 4

A letra a seguir - que acabo de reformular - foi originalmente escrita há cerca de 20 anos, quando me vi, pela primeira vez (iniciando uma longa sequência de ascenções e quedas), acometido por uma arrebatadora paixão. Hoje já estou curado deste tipo de coisa, mas ainda lembro bem dos conflitos emocionais que dominam tal fase de nossas "carreiras"... o suficiente para dar uma boa lapidada nas dezenas de letras que escrevi naquela época - e, claro, conceber várias novas.


A BUSCA


Procurando
Por todos os cantos
Buscando
Alguém com suficiente encanto
Eu levava
Avante essa empreitada
Sonhava
Encontrar logo minha amada

Dificuldades
Tentavam me desanimar
Oportunidades
Falsas, me induziam a parar
Mas dizia a vida
Que há compensação
Que a alma gêmea prometida
Não é uma simples ilusão

(intervalo breve)

À minha volta
Outros sonhavam também
E mesmo na revolta
Motivei-me a ir além
Muitos eu via
Atingindo o objetivo
A alegria
Do amor definitivo

Mesmo assim
Por pouco não desisti
Foi quando enfim
De repente eu a vi
Eu já nem mais
Esperava tal surpresa
E jamais
Senti algo com tanta certeza

(refrão):

Agora e aqui,
Gigantesca emoção
Enfim
A odisséia foi justificada
Ela me desperta paixão
E por mim
Está apaixonada

Concluí,
Em sua presença
Enquanto essa beleza me ofusca
O resultado compensa
A busca

O resultado compensa
A busca

(intervalo mediano)

Agora
Finalmente
A longa e dura espera
Terminou
Sem demora
Vou em frente
Domar a fera
Que em meu coração brotou

(refrão)

(refrão)

A busca!

(encerramento)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

AMOSTRA # 3

Pessoal, esta letra foi escrita há uns oito anos, para "homenagear" uma amiga de faculdade que só dava gafes. Ela era muito inteligente e de um bom-senso ímpar, mas toda "perdida" no tempo e no espaço, sempre um passo atrás em tudo que estava acontecendo ao seu redor. Nossa "turminha" se divertia muito com a Solange...



MENINA TONTA



Fico em tensa suspeita
Quando a deixo atravessar a rua sozinha
Se os carros vem da direita
É para a esquerda que ela dá uma olhadinha

Sua distração nos espanta
Menina tonta
Menina tonta

Confesso que tenho medo
De acompanhá-la em uma voltinha na praça
Até retorno mais cedo
Pois as várias mancadas me deixam sem-graça

É um tal de cai e levanta
Menina tonta
Menina tonta

Se ela vai ao restaurante
Na escolha do prato é tanta incerteza
Senta num canto distante
Mas ao voltar do banheiro ainda erra de mesa

Pede um almoço na janta
Menina tonta
Menina tonta

Ao ver os amigos juntos
Tenta entrar na conversa e dar uma de esperta
Sem saber do assunto
Já chega dando palpites e nunca acerta

E todos a chamam de anta
Menina tonta
Menina tonta

(sugestão: intervalo curto)

(pré-refrão):

Não tente correr
Vai cair
Evite dançar
Pra não tropeçar
Se não entender
Posso repetir
E o que eu explicar
Procure anotar

(refrão):

Ela é um quebra-cabeça que não se monta
Ninguém nunca entende o que ela apronta
E assim vive ouvindo, vezes sem conta
Menina tonta
Menina tonta

(sugestão: intervalo médio)

(sugestão: repetir tudo)

(sugestão: intervalo curto)

(sugestão: repetir pré-refrão e refrão)

Olhos sempre arregalados
Boca meio entreaberta
São claros atestados
De que não é muito esperta
Amigos sempre preocupados
Pois ela nunca está alerta

A qualquer momento ela pode tropeçar e cair
- “Minha filha, cuidado aí!”
E de seus lábios a frase mais fácil de ouvir:
- “Gente, não entendi!”

(encerramento)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

AMOSTRA # 2

Esta letra também é antiga, mas foi quase totalmente reformulada antes que eu a postasse. Estruturalmente, soava formal demais, muito "reta" - além de possuir algumas rimas um pouco forçadas. Contextualmente, faltava um trecho que servisse como "compensação", equilibrando o lado meio deprimente do tema e deixando transparente o cerne da questão, que serve como um tipo de "consolo" ou "final feliz". Espero que gostem, tanto do formato quanto da idéia que o conteúdo visa transmitir (algo em que acredito bastante).



ESCOLA DA VIDA


Vidas desde sempre vinculadas,
Eu diria, acorrentadas
A um ciclo de esperança, de otimismo
Em uma dança sempre à beira do abismo

Vidas onde o tudo é sempre nada
Após a noite, a madrugada
Há sempre algo que as lança... aos lobos
Paga-se a fiança... só pra ser preso de novo

(sugestão: pausa curta)

Bebê, adolescente, adulto, idoso
Em cada fase diz: “presente!” o aluno tão zeloso
Lutar por segurança - antes da próxima aventura... no escuro
Pré-primário é ser criança, doutorado é ser maduro

(sugestão: intervalo médio)

(refrões)

Qualquer cuidado
Não protege contra a escola da vida
(voz de fundo) escola da vida
Cada machucado
É mais uma lição aprendida
(voz de fundo) sempre tão doída

E o aprendizado
Nunca pára na escola da vida
(voz de fundo) escola da vida
Pra quem está curado
É hora de abrir uma nova ferida
(voz de fundo) ainda mais dolorida

Escola da vida
Não há saída

(sugestão: intervalo longo)

Mas é importante ter em mente
Há um diploma adiante para quem seguir em frente
O aprendizado é tudo
Nossa vida é um estudo

(sugestão: pausa curta)

Quem vive e ri, quem vive e chora
Aprende aqui e leva embora
O conhecimento é seu tesouro, não é mais aprendiz
Agora ele não é quem ouve, agora ele é quem diz

(sugestão: intervalo médio)

(refrões)

Qualquer cuidado
Não protege contra a escola da vida
(voz de fundo) escola da vida
Cada machucado
É mais uma lição aprendida
(voz de fundo) sempre tão doída

E o aprendizado
Nunca pára na escola da vida
(voz de fundo) escola da vida
Pra quem está curado
É hora de abrir uma nova ferida
(voz de fundo) ainda mais dolorida

Escola da vida
Não há saída

Escola da vida
Não há saída

Escola da vida
Não há saída

Escola da vida
Não há saída

(encerramento)