terça-feira, 20 de outubro de 2009

AMOSTRA # 8

Esta foi a primeira letra cômica e despojada que tentei escrever. Me parece claro hoje que fui fortemente influenciado por Ultraje a Rigor, banda que eu escutava bastante naquela época - e que ainda hoje admiro, principalmente pelas letras. Eles sempre demonstraram uma incomum competência em saber brincar com as palavras de forma divertida e criativa, sem abrir mão do desafio em criar rimas plausíveis e bem sacadas.


EU MORRI!


Quando o sol apareceu

E o despertador tocou

Não sei o que me aconteceu

Alguma coisa mudou


Eu levantei da cama

E uma visão me alarmou

Deitado e com o pijama

Meu corpo continuou


(pausa breve)


Flutuei pelo quarto

Sem ter no chão pisado

No espelho outro sobressalto

Eu não me vi levantado


Então me descontrolei

Fiquei desesperado

Socar a parede eu tentei

Mas atravessei pro outro lado!


(pré-refrão 1):


Não sabia que o fim

Chegava assim

De surpresa

Sem zoeira

E de maneira

Que eu nem mesmo entendi

Estou voando

Estou boiando

Com só uma certeza

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(refrão):


O meu coração pifou

Minha vida acabou

Tão cedo eu parti

Não estou mais aqui


Virei defunto

Sou presunto

Faleci

Pereci


(intervalo médio)


Voei através da porta

Sem saber o que fazer

Nada mais pra mim importa

Eu acabei de morrer!


Fui vagando pelas ruas

Tentando me entreter

Um vestiário com garotas nuas

Fez meu ectoplasma tremer


(pausa breve)


Mas agora sou só uma alma

No que estou pensando?

Tenho que manter a calma

Elas nem estão me enxergando!


Enquanto vivia, que ironia!

O máximo era ficar rezando

Pra ver minha noiva Maria

Sem sutiã de vez em quando


(pré-refrão 2):


Não sabia que ir pro além

Seria bem

Frustrante

Tanta mulher sobrando

E eu babando

Aqui

Vou começar

A aceitar

Que de agora em diante

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(refrão)


De repente uma vontade

Antes de para o além zarpar

Ver de novo a beldade

Com quem iria me casar


Na casa dela entrei depois

Do telhado atravessar

E logo vi os dois

Deitados no sofá


(pausa breve)


Num baita dum amasso

Maria ali estava

Já fui descendo o braço

Mas de nada adiantava


Saí dali voando

Por essa eu não esperava

A noiva me chifrando

Com o amigo que eu mais gostava


(pré-refrão 3):


Não sabia que minha vida

Era a saída

De um esgoto

Iludido

E traído

Agora eu sei que vivi

Já encaro com satisfação

Minha condição

De homem morto

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(refrão)


(intervalo longo)


Não sabia

Que na morte iria

Ficar aliviado

A irresistível chamada

Da última morada

Eu já recebi

Sendo assim

Enfim

Por mim

Estou melhor do outro lado

Eu morri!

Eu morri, eu morri!!

Eu morri!!!


(encerramento)

2 comentários:

  1. Adorei,e me diverti muito com a letra!
    Se era esse o objetivo,acertou no alvo!

    CLAP...CLAP...CLAP...CLAP...CLAP...,já conhece esse meu aplauso né?

    Beijos de Itu em vc amore!

    R (Fã número ZERO)

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  2. Pois é, conheço bem estes aplausos... e ainda assim, eles e os elogios que os acompanham sempre me deixam um pouco constrangido.

    Valeu novamente por acompanhar meu trabalho e sempre acrescentar um agradável comentário.

    Beijos,

    A

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