quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Amostra # 17


VIAGENS PARTICULARES


Penso

Em rosas que saltam

Com ângulos que ressaltam

O colorido das emoções

Que ao redor das visões

Às vezes faltam


Penso

Em chuvas que nunca molham

Enquanto chances desfolham

Entre as teias da sensação

Que escorrem na solidão

Das almas que me olham


(pré-refrões 1):


Eu quero colher muito som e em um grande barril guardar

Eu quero toda a sombra que está aqui no ar

Eu quero poder assimilar

A metafísica


(refrões):


E nas vezes em que flutuo

Entre as rochas de algodão

Nem me indague se recuo

Por sentir confusão

Então desvio do gelo

Que cuspiu o vulcão

E fica verde meu pelo

Entre cada erupção


E eu sempre me pergunto

Onde rasteja o avião

E o tempero que vem junto

Tem sabor de gratidão

A planta acorda e avança

Faz um tapete no salão

Quando a mente afia a lança

Que acaricia o coração


(intervalo médio)


Penso

Em coisas que não conheço

Determinando cada preço

Não me fogem da percepção

Só são invisíveis à razão

Mas sei que as mereço


(pré-refrões 2):


Eu quero entrar no ritmo das folhas que a maré alta faz balançar

Eu quero deitar na rede pra aprender como voar

Eu quero em perfeita sintonia entrar

Com a Natureza


(repete refrões)


(intervalo longo)


(repete pré-refrões 1 & 2)


(repete refrões)


(encerramento)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Amostra # 16

Temos aqui mais uma letra antiga reformulada. Fala sobre a natureza humana de uma forma não muito lisonjeira, então talvez incomode quem é mais propenso a ter uma perspectiva positiva e otimista sobre seus irmãos de espécie. Mas uma olhada para o mundo ao redor com a visão limpa de opiniões pré-concebidas mostra claramente a triste realidade de que no coração dos homens o mal tem mais facilidade para se arraigar do que o bem - e na absoluta maioria de nós ambas as forças latentes dividem espaço em um constante cabo-de-guerra. Princípios altruístas e egoístas convivem simultaneamente em nosso âmago, cada qual tomando a frente no momento em que circunstâncias devidamente propícias geram o estímulo necessário.


S.O.S.


Vida selvagem

Guerrilha constante

Testar a coragem

A todo instante

Contra o que nos ronda a todo o instante


Selva urbana

Conspiração rural

Natureza humana

Inserindo o mal

Em cada canto que alcança esse animal


(pré-refrão):


Raça de canibais que se consomem, se comem

Este é o apetite insaciável do homem

Frios e vorazes, tanto se ferem

E eles também me querem!


(refrão):


S.O.S.

Socorro, me resgatem

Ando com medo de que os predadores me matem

S.O.S.

Socorro, me protejam

Temo que meus irmãos caçadores me vejam


(intervalo curto)


Rivalidade feroz

Competição de frieza

Cada um de nós

É uma presa


Servir o outro num prato

Sobre a mesa

É essa de fato

Nossa natureza


(pré-refrão)


(refrão)


(intervalo médio)


(pré-refrão)


(refrão)


(refrão)


S.O.S.

S.O.S.

S.O.S.


(encerramento)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Amostra # 15


Quando escrevi esta letra, décadas atrás, ainda não havia experimentado uma situação como a descrita abaixo. Mas depois, claro, fui tendo meus muitos motivos para pequenos - e grandes - lamentos.



PEQUENO LAMENTO


Foi tão forte essa paixão

Foi tão forte o que senti

É por isso que agora canto esta canção

Que eu mesmo escrevi


Na duradoura relação

Que com ela eu reparti

Jamais pude imaginar que fosse uma ilusão

Sem lutar eu sucumbi


(refrões):


Por isso eu faço este pequeno lamento

Desabafar essa agonia que tanto me aflige é o intento

Quero mostrar a todos a razão desse tormento

Tarefa onde uso mais emoção do que talento


Por isso eu faço este pequeno lamento

Saibam que meu coração não é feito de cimento

Essa tristeza que eu relato não é coisa do momento

Há muito que ela me domina em cada pensamento


Por isso eu faço este pequeno lamento

Não é fácil descrever minha dor ao mundo, mas eu tento

Ainda não sei como expressar todo meu sofrimento

São apenas palavras – levadas pelo vento


(intervalo curto)


Foi tão forte que abalou

Minha vontade de viver

Até agora não percebo o que nos separou

Mas pra quê quero saber?


O paraíso desmoronou

E nada eu pude fazer

Tão profundas são as marcas que isto deixou

Jamais vão desaparecer


(refrões)


(intervalo médio)


(repetir tudo)


(encerramento)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Amostra # 14



De vez em quando gosto de elaborar uma letra sem refrão. Eis um exemplo.

EPÍLOGO


Até agora eu não entendo o que houve

Tanto quanto você não entende também

Onde foi que erramos?

O que esquecemos?


Eu não te escuto, você não me ouve

Não sei o ocorre e você não sabe o que tem

Por que tanto mudamos?

O que faremos?


(pausa breve)


Não dá pra tentar

Disfarçar

Que a gente já não se suporta

Acho bom eu partir

E assim que me ir

Feche sua porta


Cansamos de lutar

Pra curar

Nossa enorme ferida

Chegamos ao limite

E se me permite

Estou de partida


(pausa breve)


Passaremos de amantes

Para apenas amigos

Amigos distantes

Longe do perigo


Queria que tudo fosse como antes

E nos tornássemos desconhecidos

Fazendo assim um transplante

Nos dois corações feridos


(pausa breve)


Se a gente tem que ser só amigos

Pra quê confundir nossa dor?

Eu sumo daqui e vou pra bem longe isolar

E abafar

Nosso amor


Se é impossível estarmos unidos

A ponto de sermos como um só

Eu prefiro ir embora

Agora

Sem dó


(pausa breve)


Sem mais opções

Me despeço

Amo você

Muitas vezes deixei de dizer

E por isso me arrepender


E nossas emoções

Eu lhe peço

Vamos conter

Nunca mais vou dizer

Que te amei pra valer


(pausa breve)


Chega de remendar

Vamos parar

Por aqui

Já não tem como colar

Trocar um olhar

E sorrir


O que já não existe

Vou me recusar

A fingir

Por que a gente persiste?

É melhor acabar

E sumir


(pausa média)


(repete tudo)


(pausa curta)


(em narração):


Não dá mais pra nadar

Nem boiar

Neste mar

Sem arriscar

Se afogar

E afundar


Não dá mais pra voar

Ou planar

Nesse ar

Nem respirar

Sem sufocar

Ou engasgar


(encerramento)